sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ser feliz em qualquer hipótese...

  1. O professor de inglês Paulo Guedes encaminhou à reportagem uma carta que foi enviada à diretoria do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) sobre um incidente ocorrido na unidade de ensino de Balneário Camboriú, que é do Governo do Estado.

    É o relato de uma situação que o levou a suspender aulas de inglês usando música, como técnica pedagógica. As aulas são sucesso entre os alunos e inclusive já foram notícia neste jornal por se tratar de uma iniciativa que incentiva os alunos.

    Ele informou que a resposta da diretoria e da Gerência de Educação foi tratar o fato internamente e ele ainda aguarda resposta da Ouvidoria do Estado. “Não tomei nenhuma medida judicial e estou tentando resposta no âmbito trabalhista, mas se não tiver resposta, terei que acionar outros recursos”, informou.

    Leia a carta na íntegra


    Balneário Camboriú, 10 de Abril de 2013.
    Sra. Diretora do CEJA Balneário Camboriú
    Adoraria que o motivo desta missiva fosse para dar boas notícias a respeito dos resultados apresentados diante da proposta de trabalho que me foi apresentada desde o final de 2011 dentro desta instituição de ensino.

    Como é do vosso, sou educador graduado em Letras (Português-Inglês) e procuro complementar as minhas atividades inserindo várias iniciativas que visem facilitar o aprendizado, seja de língua portuguesa ou estrangeira. Desde que fui contratado por esta instituição pela primeira vez, e isso data de Novembro de 2011, sempre trabalhei utilizando estes recursos e até o presente momento não havia recebido nenhuma queixa. Ao contrário, o nível de satisfação com o meu trabalho sempre esteve além das expectativas, e a senhora sabe disso.

    Professora, por trabalhar com música dentro de um ambiente educacional, não dispondo de um laboratório de ensino de línguas, sempre externei a minha preocupação em não incomodar a quem quer que seja com o barulho que às vezes a atividade provoca. Sempre conversei com meus colegas a esse respeito e até a presente data não ouvi nenhuma queixa quanto a isso. O que acontece é que sempre recebi elogio dos colegas e desta diretoria por poder desenvolver uma atividade diferenciada e que em meados do ano passado resultou até em reportagem em noticiário local.

    Não vou me estender aqui a falar da luta que foi conseguir trazer o CEJA para a sua “residência própria”, pois isso a senhora tem conhecimento de cadeira, mas falo do meu orgulho de ter feito parte deste processo e de estar cada vez mais contribuindo com o meu trabalho e dedicação para o bom andamento desta proposta educacional. Conheces o meu empenho em fazer com que a educação de jovens e adultos seja a alternativa principal na mudança de vida destas pessoas que nos procuram e que tem sede de crescer.

    No início deste ano, na primeira semana de aulas, pra ser mais exato, fui abordado por uma pessoa que mais tarde vim a saber se tratar da professora Conceição, responsável pela área pedagógica do CEJA (no dia em que me chamou à sala da diretoria, ela não se apresentou) afim de me interpelar e advertir verbalmente a respeito da minha maneira de trabalhar em sala de aula, dizendo que as músicas estava incomodando aos demais professores e que eu parasse com o trabalho ou diminuísse o volume pois a música na sala de aula não era uma atividade pedagógica (!). Confesso que ouvir isso de um profissional que dentro das suas atribuições tem o apoio pedagógico me causou estranhamento e espanto. Perguntei a ela o seguinte: Professora, dentro do contexto educacional atual, onde estamos iniciando 2013 como o ano da instituição das aulas de música como disciplina escolar, o que é pedagógico para a senhora? Ela nada respondeu.

    Expliquei para ela que eu desenvolvi este trabalho por dois anos no Município de Camboriú e que desde 2012 faço parte dos quadros de professores de Balneário Camboriú, onde trabalhei nas Escolas Municipais Presidente Médici, Vereador Santa, Nova Esperança e neste ano, Dona Lili, sempre utilizando este expediente, conseguindo incentivar pessoas a aprender uma segunda língua para que melhorem seu currículo diante de um mercado tão competitivo. Levei ao seu conhecimento o trabalho que já faço no CEJA deste então e disse ainda que estava cantando nas salas porque os alunos estavam sem aulas e todos os professores que estavam presentes se dispuseram a recebê-los haja vista que era a primeira vez que eles chegavam lá, e eu aproveitei para dar-lhes as boas vindas de forma diferenciada e acolhedora como sempre fiz. Disse ainda que não era todo dia que tinha música e que eu a usava como instrumento de promoção e desenvolvimento de educação e cidadania, além de sempre fazer avaliações fonéticas periódicas com esta ferramenta. Ela me falou que no passado tentou desenvolver atividade semelhante mas não conseguiu, teve dificuldade e por isso parou. Ficou acordado que cantaríamos mais baixo e a conversa terminou aí.

    Confesso que fiquei tentado a falar com a senhora a respeito do ocorrido, mas achei por bem não começar o ano letivo de forma tão desgastante, pois como sabes, meu perfil sempre foi de me colocar “sempre ao lado da solução e nunca como parte de um problema” e quando digo que estou na missão para “contribuir”, não e da boca pra fora.

    Ontem, dia 9 de Abril, estava na sala 304 desenvolvendo minha atividade semanal, duas aulas de Língua Portuguesa e duas de Língua Inglesa. Depois do intervalo, já com as atividades feitas e prestes a recomeçar a última aula, peguei o violão e comecei a fazer uma avaliação fonética com os alunos. Antes disso me certifiquei de que não havia nenhum professor dando aulas nas salas ao lado e comecei a atividade até com portas abertas, pois estava calor e o ventilador estava fazendo com que as folhas voassem.

    Depois de certo tempo, quando já havíamos cantado duas músicas, a professora Conceição adentrou a sala e me repreendeu na frente dos alunos exigindo que eu parasse com a atividade, pois alguns professores estavam reclamando. Um dos alunos de nome Mateus Pires Magarini tentou retrucar dizendo que ela não queria uma escola alegre e sim uma escola triste e ela foi ríspida com o rapaz, dando a entender que quem mandava ali era ela, atitude esta que nos deixou a todos atônitos.

    O aluno Marco Rafael Johann Ruaro disse que não estávamos incomodando ninguém, mas não foi ouvido. Parei imediatamente a atividade e continuei com o restante da aula. Cumpri o meu horário e saí para guardar meus objetos no carro. Voltei para a escola e a professora estava na secretaria. Eu agradeci a ela por me avisar que a atividade estava atrapalhando e somente pedi para que ela não me expusesse diante dos meus alunos como ela fez, pois fiquei constrangido com tal tratamento e que ela poderia fazer um pequeno, educado e discreto gesto da porta mesmo que eu iria entender. Falei também que a sala de aula é o ambiente onde o educador ali presente é a autoridade máxima e que a minha havia sido neutralizada por tal atitude. Ela me respondeu grosseiramente dando a entender que faria isso quantas vezes fossem necessárias e que se eu estava ali pensando que posso fazer o que quero, estava muito enganado. Disse que ela era a diretora e que ali a autoridade máxima teria que ser respeitada. Disse que eu venho afrontando-a desde então, trazendo o meu instrumento para dar minhas aulas e que e saísse da sua sala e da escola. Ela nem teve a sensibilidade e a educação de pedir para que eu me retirasse. Disse em alto e bom som SAIA JÁ DA ESCOLA!!! Disse SAIA! Como quem diz a um animal de estimação, o que muito me ofendeu. Gritou comigo e ficou mandando-me calar a boca várias vezes. Disse que eu não a estava respeitando, no que eu respondi prontamente que o respeito é uma via de mão dupla e que ela não foi capaz de me respeitar dentro do meu ambiente de trabalho, expondo-me daquela maneira perante os alunos. Quando ela me mandou calar a boca e sair da escola eu pedi para que ela não me tratasse como moleque e que eu ia notificar a direção acerca de tudo o que ela havia me dito, ela mais uma vez falou que a diretora ali naquele momento era ela. Aproveitei para dizer que ela como diretora constituída não teve a sensibilidade de me avisar de forma correta e educada acerca do incidente. Neste momento ela ficou sem argumentos, começou a me ofender e pegou o telefone para ligar para a polícia.

    Fui até o carro e tenho a impressão que ela pensou que eu tinha ido embora. Voltei e fiquei esperando a polícia chegar. Pedi aos meus alunos que ficassem no que eles prontamente me atenderam e em mais ou menos dez minutos a polícia chegou. Ela os chamou para a sala da diretoria, ofereci-me para entrar também e ela bateu a porta na minha cara, o policial educadamente saiu da sala e disse que me ouviria em seguida. Aguardei.

    Quando chegou minha vez, entrei na sala contei tudo o que aconteceu e ainda fui questionado por um dos policiais que queria saber se a aula era de Língua Inglesa ou de Música, dando a entender que as duas coisas não podem andar juntas. Respondi que era inglês com música. Ele me questionou a respeito da hierarquia dentro de um ambiente de trabalho e eu expliquei que em nenhum momento essa hierarquia havia sido quebrada. Ela me chamou de mentiroso por cinco vezes diante dos policiais, disse que eu estava ali para “rodar a minha baiana” e aparecer, foi mal educada, interrompeu a minha explicação a ponto do policial dizer pra ela que eles estavam ali pra resolver a questão e que se fosse pra continuar a discussão, eles iriam embora. Quando ela me chamou de mentiroso eu lhe disse que tinha testemunhas do que tinha acontecido e as minhas testemunhas são:
    Anne Francielli Pires Mengotti, Jéssica Pamela Antunes, Marco Rafael Johann Ruaro, Mateus Pires Magarini, Otília da Silva Azevedo Pereira, Rute dos Santos Oliveira e Elizete Melo. São estes os alunos que presenciaram o fato.

    Professora, a senhora sabe que tenho verdadeira paixão pela educação de jovens e adultos e encontrei nesta cidade, neste estado que tão bem me acolheu, um terreno fértil à propagação do ensino àqueles que por vários motivos deixaram as salas de aula em tempo adequado. Venho acompanhando o trabalho que tens para manter esta escola funcionando, com dificuldades, desafios, e lutas. Sabes que sempre estivemos juntos nesta missão e que independentemente dos percalços, o trem do CEJA continua nos trilhos e continuará por muito tempo.

    Depois de ter convivido com pessoas tão brilhantes dentro da educação de adultos, ontem me vi diante de uma pessoa totalmente despreparada para a função que exerce. Uma pessoa que não sabe a diferença entre autoridade e autoritarismo. Um profissional que diante da primeira situação embaraçosa preferiu chamar a polícia, como se eu fosse um bandido, um malfeitor, quando na verdade estava ali garantindo o meu sagrado sustento, dentro do meu ambiente de trabalho, amparado por uma instituição de ensino pública que de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho deveria prezar pela minha integridade física e moral. Uma pessoa sem perfil educacional que com esta atitude demonstrou não ter a menor experiência no trato com os profissionais a seu comando muito menos com os alunos. Alguém que não tem tato para lidar com pessoas e desconhece o que são relações humanas, sociais ou trabalhistas. Fiquei constrangido e ofendido diante de tal situação pois nunca imaginei que algo assim fosse me acontecer.

    Professora sou um homem humilde, o que não é defeito, tenho muito orgulho da pessoa e do profissional que sou. Procuro trabalhar sempre buscando o bem estar de quem me rodeia, ando sempre dentro das normas preestabelecidas e acima de tudo, sou um homem honrado. Ontem me senti o pior dos seres ao ver os alunos presenciarem uma cena tão degradante. Foi exposição demais.

    Trabalho três períodos porque não tenho a índole de viver reclamando de salário baixo, quando entro pela porta de todas as escolas onde trabalho sempre o faço carregando comigo o melhor que posso oferecer, alegria, profissionalismo e dedicação. Estou realmente entristecido pelo tipo de tratamento que recebi e deverei procurar instâncias maiores para onde enviarei comunicados de conteúdo semelhante, não sem antes deixá-la a par de tudo o que aconteceu para evitarmos atropelos. Pessoalmente nada tenho contra professora Conceição, porém, profissionalmente ela me ofendeu muito. Para que isso não venha a acontecer futuramente com outros profissionais, solicito desta direção as providências que lhe forem cabíveis. Agradeço tendo a certeza de que o sentimento que move as relações humanas se chama respeito, e quando ele não é praticado acontecem os grandes desequilíbrios sociais. Atenciosamente,

    Paulo Guedes




    Segunda, 29/4/2013 11:42.
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    • M Nilta Sabiá Parente Também trabalhei tantos anos com Inglês e de vez em quando tinha uma música pra cantar com os alunos,(que amavam na época "What a Wonderful World ") porém nunca nos deparamos com uma situação dessa... Sempre procurei acatar as ideias de quem dirigia a escola; Preferia ser amiga a viver intranquila ou digladiando no meu trabalho... que já não era tão fácil. Certa ocasião em que senti que ia "brigar" com a nova Diretora que chegara pra nossa escola, onde já estávamos há 24 anos...resolvi me transferir de lugar, não apenas eu como quase todos os meus colegas!!!O que para mim não fora nada mal, uma vez que quem dirigia esta nova Unidade de Ensino pra onde fui, e lá me aposentei, era já uma ex aluna, onde recebi o maior apoio e que até hoje amo e sinto saudades! Com certeza por tudo isso e pelas minhas atitudes de amor e dedicação pelo que eu fazia em prol do meu bem -estar e do bem-estar de meus alunos, é que pude chegar com saúde e vitoriosa ao final de minha incessante e longa jornada!
  2. "Vivi tão intensamente a fantasia de ser professor, que não sabia bem se a aula que estava dando, era o aumento de minha fantasia ou se era realidade; eu era feliz em qualquer hipótese."
    Aconteceu tbm comigo a mesma coisa disto que escreveram aí...
    E asseguro, que o professor que é professor, só existe por vocação! Não se admite um professor sem querer de verdade ser professor!
    É sacrificar demais um individuo!
    Um professor que não é professor, ele se sente um palhaço, um infeliz, enfim um derrotado numa sala-de-aula, em frente a seus alunos!
    Lembro-me bem daquele dia! Entrou eu numa sala e a minha amiga na sala vizinha! Era nosso primeiro dia de aula ali, como professoras concursadas e efetivas no Estado. A escola, uma das mais concorridas: Agostinho Fróes da Motta.
    Minha aula foi assistida por uma professora experiente. Na qual fizemos logo uma boa amizade! Eu estava contente! E distribuía felicidade aos quatro cantos! Acredito eu que naquela aula, já demonstrei todas as minhas aptidões...
    Sempre foi aquilo que eu realmente quis e me preparei a vida inteira!
    E era aquela a minha maior vontade: imitar minha mãe! "Quem não aprendesse com a pró Renota, não aprenderia com mais ninguém." Era assim que propagavam onde ela ensinava ! Pró enérgica mas, bondosa com os alunos.Assim que eu queria ser também!
    Quando terminou a aula, encontrei minha amiga no corredor da escola... Estava desfigurada! Não. Não era aquilo com certeza, o que ela queria pra vida dela! Não dava pra continuar! E anos depois a minha amiga entrou no Banco do Brasil. Lá se identificou e foi muito feliz!
    Cá no Magistério, ficou eu a vida inteira!
    Dias de insatisfação com o salário, com alunos e até com colegas!
    Outros, em que achava o Magistério ser mesmo a profissão ideal ! E assim o tempo foi passando...Passaram-se anos e mais anos e, tudo continuava pra mim igual como começou! Dias tranquilos a achar que era aquilo mesmo que eu sempre quis; Em outros dias eu me entristecia, mas só não podia mais pensar em desistir...
    Já muito cansada...com 39 anos de serviço, sempre na correria, enfrentando os 3 turnos de aula, não era mais possível continuar e já muito cansada sonhava com a aposentadoria!
    Hoje vejo o tempo enorme que passei como regente...E não lamento, nem quando, por perseguição política, tenha perdido meu cargo de vice-Diretora da Escola Ernestina Carneiro. Indicação de uma pessoa que gostava muito de mim e que preferia me ver num trabalho mais maneiro. E dos aborrecimentos que passei por tudo disso...
    Mas com o passar do tempo, fui entendendo o quanto é verídico o que costumam falar por aí: "que funcionários, aqueles que menos gostam de trabalhar ... são exatamente os que são convocados aos cargos de chefia! Assim sendo, eles dão menores prejuizos à Empresa ! Acredito nisso, embora não discorde de que toda regra tem as suas exceções! A verdade é que o lugar do bom professor, é na sala-de-aula, junto com os alunos. Onde ele pode exercer seu verdadeiro papel de educador e transmitir suas experiências! Enfim, foi o que sempre procurei fazer em todo tempo que exerci minha profissão !
    As contrariedades que, por ventura, eu passei, se forem calculadas pelo tempo de serviço, não significam quase nada!
    Ademais, escolhi ser professora pela minha vocação.
    Pra ser honesta, nunca me vi fazendo outra coisa! E sempre fiz do meu trabalho um lugar feliz! Apesar de muito mal paga. Afinal, quem começou no país como Mestre, foi José de Anchieta; Que ensinava sem remuneração nenhuma! E o bom ou o mal exemplo como queiram admitir, talvez tenha vindo dele: PROFESSOR FELIZ EM QUALQUER HIPÓTESE...

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